Foi no Porto, cidade onde nasci e cresci que desde muito cedo os aromas e sabores foram para mim uma atração. As mesas de doces que tradicionalmente se preparavam em dias de festa na família fazem parte da minha memória e influenciaram-me a entrar na cozinha e a experimentá-la como laboratório.

Exerci Engenharia de Minas durante alguns anos em Lisboa, mas foi no Brasil onde desenvolvi a paixão pela Doçaria Conventual portuguesa que me fez mudar o meu percurso profissional.

A aprendizagem com a pesquisa e a sensibilidade e experiência que adquiri, através da empresa de Doçaria Conventual que desenvolvi no Brasil, ensinaram-me a dosear e a retirar o melhor partido dos ingredientes, tendo sempre como premissa a excelência e qualidade do produto final.

Defensora incondicional da Doçaria tradicional de origem conventual portuguesa, como riqueza impar do património gastronómico português e da necessidade da sua valorização, preservação e transmissão, quando regressei a Portugal dei continuidade ao meu projeto profissional nesta área.

O fascínio pelas artes plásticas e a descoberta da plasticidade de algumas matérias-primas, como o chocolate e as pastas de açúcar, motivaram-me a explorar dia a dia as potencialidades destes materiais.

Depois da minha formação na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto e de várias outras formações profissionais pontuais, tenho ministrado formação destinada a profissionais e não profissionais, consultoria em várias empresas na área da Pastelaria, Restauração e Catering, através da criação de menus, receitas e formações em grupos e individuais. Com mais de 16 anos de experiência na criação e execução de Pastelaria Criativa e Artesanal, Doçaria Tradicional Portuguesa, Massas, Recheios e Decoração de Bolos.

Tem participado em diferentes publicações, apresentações de receitas, showcookings e desde o início de 2016 desenvolvo receitas na rúbrica “Maria na Cozinha”, todas as terças-feiras no programa Olá Maria, do Porto Canal.

Os doces têm para mim características particulares, não só pelos ingredientes apelativos que os compõem, ou pela plasticidade estética que proporcionam, mas pelos momentos especiais que lhes são associados, quer pelas manifestações de afeto que simbolizam, quer pelos momentos de celebração onde são grande atração.

Tendo sempre como conceitos prioritários a transmitir, o rigor e preservação das origens gastronómicas, a distinção e respeito pela qualidade dos ingredientes, a irreverência nas misturas, a criatividade e equilíbrio das soluções estéticas, considero que a cozinhar deve ser acima de tudo um ato de afeto e pura diversão.

A cozinha, da mais inovadora à mais tradicional, que realmente faz sentido para mim deve ter alma, transmitir mensagens, histórias e memórias mas essencialmente a emoção e paixão de quem preparara cada prato.